daguerreotypes: Chuck Close

If someone thinks that photography of the present day are only made in digital format, well, they are so very wrong. Even though it was invented in 1839, the daguerreotypes are still produced, to this day. Actually, almost all of the photographic processes are still produced, for there are artists who believe that photography is timeless, and the processes are not just a part of the history books, but nonetheless part of the present day, just as painting or sculpture.

And the value of works of art produced with so miscalled "archaic processes" are more valuable than most of the people would imagine. The prints of this series of daguerreotypes taken by Close were sold at Christie's for a whopping $166,000 in 2007.



Brad Pitt graced the cover of the February 2009 issue of W Magazine, and I guess most people would never thought that this image was produced with century old photographic process.

While photography is the easiest medium in which to be competent,” Chuck Close says in “Artists & Alchemists” documentary feature, “I think it is the hardest medium in which to have a distinctive personal vision.”

Known for his unparalleled attention to detail in hyperrealist portraiture, Close explains in conveying that vision his predilection for using immensely revealing daguerreotypes, plates that capture just about the widest possible range of highlights and shadows with the use of strobe lights that capture quite literately the power of the sun.

A Couple of Ways of Doing Something, on view at the Wichita Art Museum through April 15, 2012. The series features fifteen massive prints of the artist’s world-renowned friends (Cindy Sherman, Philip Glass, James Turrell, Laurie Anderson, to name a few) presented with microscopic intimacy, each alongside a poem by Bob Holman.

The work was inspired in part by a collaborative series of lithographs done by poet/curator Frank O’Hara and artist Larry Rivers in the late 50s, as Close explains briefly in the accompanying interview from the 2006 Aperture monograph A Couple of Ways of Doing Something with Lyle Rexer, author of the Edge of Vision.

As photography moves forward becoming more widespread and accessible, in an era when the premium put on absolute originality is largely in question, sometimes reaching back for precedent can be as fruitful as rediscovering archaic technology. Or as Close puts it, “In 1840 virtually everything I love about photography was already there.”




for more info on Chuck:
http://www.chuckclose.coe.uh.edu/
http://www.chuckclose.org
 also go to Youtube and type Chuck Close!!!

fotografia e pintura: Chuck Close

A impressionante carreira de Chuck Close se extende além dos seus trabalhos completos. Mais do que um fotógrafo, impressor e gravador, Close constrói experiências visuais para os observadores, que, no curso de 30 anos, forçou os limites da impressão de uma maneira incrível.

As imagens de Close não são criadas digitalmente ou foto-mecanicamente, são todos feitos do jeito antigo, à mão. Com confiança e respeito pelos processos técnicos, e em colaboração com mestres impressores e gravadores, essenciais na criação dos seus trabalhos, suas obras são o resultado de intenso trabalho e muito tempo dedicado a finalização, que pode durar meses, ou anos.

Processo e colaboração são duas palavras essenciais no entendimento do trabalho de Chuck Close.

Charles Thomas "Chuck" Close nasceu em 1940, em Washinton, Estados Unidos, e ficou famoso pelos seus massivos auto-retratos fotorealistas, e também por retratos de amigos, familiares e artistas. Utilizando sobretudo a técnica do foto-realismo (a pintura é similar a fotografia), se equadrando no movimento do Hiper-realismo.

Close, em uma visita ao Seattle Art Museum, aos 11 anos de idade, viu as pinturas de Jackson Pollock e teve sua visão do que era arte mudada. Em suas palavras, ficou "ultrajado, perturbado. Eu fui extremamente removido do que eu pensava que era Arte. Entretando, em dois ou três dias eu estava derramando tinta por todas minhas pinturas antigas. De alguma forma, eu venho buscando essa experiência desde então".

Formado na Universidade de Washinton, em Seattle,  fez mestrado (Masters of Fine Art) na faculdade de Arte e Arquitetura, em Yale, em 1964. Depois disso, parte para europa, ganhador da bolsa Fulbright, então retorna aos Estados Unidos e se torna professor na Universidade de Massachusetts.

Desde 1968 Chuck Close tem pintado diversos retratos de grande formato baseados em fotografias previamente tiradas por si. O seu primeiro quadro com aplicação desta técnica, "Big Self Portrait", um auto-retrato pintado em preto e branco, foi exibido na New York Gallery of Modern Art em 1973. Para realizar este trabalho, Close fez várias fotografias de si próprio onde a cabeça e o pescoço ocupavam todo o enquadramento, transferindo depois ponto por ponto para a enorme tela, pintada com tinta acrílica e um aerógrafo. Seguiram-se pinturas do rosto de amigos como Richard Serra ou Philip Glass. Desde então pinta frequentemente os mesmos retratos utilizando diferentes técnicas.

Em 1988, Close fica paralisado numa cadeira de rodas devido a um coágulo sanguíneo na coluna vertebral. Mais tarde acabaria por conseguir readquirir a mobilidade parcial dos seus braços, mas, entretanto, não desiste e regressa à pintura, embora recorrendo a algumas técnicas que lhe permitissem trabalhar na sua cadeira de rodas. Além disso, sofre de Prosopagnosia, conhecida como cegueira de rostos, e por causa disso tem dificuldade de reconhecer os rostos das pessoas. Pintando, fotografando ou representando rostos em retratos, lida e tenta conviver com o problema.

Inúmeras fotografias de Chuck Close encontram-se integradas em colecções de instituições como o Art Institute of Chicago, o Philadelphia Museum of Art, o Whitney Museum of American Art, a Tate Gallery e o Musee National d'Art Moderne. Entre 1989e 1999, o Museu de Arte Moderna de Nova Iorque organizou uma retrospectiva do seu trabalho.

Close continuou a explorar processos fotográficos como o daguerreótipo, em colaboração com Jerry Spagnoli, e formas sofisticadas de tapeçaria de grande formato, em colaboração com Donald Farnsworth.

No ano 2000, recebeu o prêmio National Medal of Arts. Close atualmente mora em Bridgehampton, Nova Iorque.

Em 2009, numa entrevista, explica que fez uma escolha em 1967 de fazer a arte ser difícil para ele mesmo e assim forçar descobertas artísticas por abandonar o pincel. "Eu joguei fora minhas ferramentas", disse, "Eu escolhi fazer coisas que eu não tinha facilidade em fazer. A escolha de não fazer algo é de um jeito engraçado mais positivo que decidir fazer algo. Se você impõe um limite em não fazer algo que você fez antes, isso vai forçar você a ir a lugares que nunca foi antes."

good old beliefs

once a year, in the last three years, there is this assignment I have to do, a book of architecture photography, where I photograph something like 30, 40 projects, by architects, designers and interior decorators, and their portraits too. The good news about it is that I have two pages to show some of my authoral work and to face myself with a interesting question: which photographs to show?

I was looking for photographs, studying the content of my modest and small little archive, for a couple of pictures that were recent, somehow modern (or should I say contemporary, since modern, in art, is related to a different period, not the today stuff?) and up to date, somehow related to architecture or design, but I ended up accepting a suggestion from my brother (who is a better editor, to say the least) and selected the photo above, which - well, for me -  have all those qualities, even though it is not recent at all, it was made in 1995.

Yes, long before the digital revolution and long before I ever thought about being a professional photographer and making a living out of it. I was only seventeen, good old days when I used to photograph just for fun... literally, the 'just' and the 'fun'.

Working with photography sometimes may be incredible, a truthfully art form based on creativity and feeling, thought and emotion, a specialized craft build upon knowledge and experience, but many times it's only the use of a know-how to operate a machine. No feeling, no art, no nothing, just a working man operating a machine.

This image is a scanned negative, solarized in photoshop. The old school black and white lab know-how and the new cutting edge digital high tech, combined, together, so easily. It seemed to me a good choice to synthesize some of my beliefs in photography.

Well, it might be odd to find a 15 years old photo - and publish it - as part of a synthesis of my work, but I believe that the past is more powerful than the present, because it is the past that gives base and credibility to present beliefs and actions. Anyway, I like the pictures I made when I was seventeen because they were more real to me, since I've done them without no sense of purpose, just for the pleasure of taking, or making, should I say, photographs, walking around and enjoying the imaginative process that was film photography, and the much more charming and intimate camera handling.

Walking around Chicago is so very pleasent, with a camera loaded with black and white Kodak Tri-X, it gets so much better. Those days are long gone, but the pleasure and beliefs are still there, stored, somewhere along with all those negatives, in that modest little archive.

Naivité + manipulação = fotografia de espíritos no século XIX

Eugène Thiébault, Henri Robin and a Specter, 1863


uma das ideias interessantes sobre a história da fotografia é ideia de ingenuidade. Naivité, ou a ideia de ingenuidade na fotografia em geral, mas principalmente associada ao movimento espiritualista, que se baseava na crença que através de um medium - ou meio - os espíritos poderiam se comunicar. Quando as duas coisas se unem, foi criado o que genericamente é conhecido como "fotografia de espíritos", ou "Spirit Photography".

Baseado na esperança, ou na fé, que os espíritos realmente queriam e podiam se comunicar com os que ficaram, aqueles que acreditavam nisso, também acreditavam que as fotos eram realmente fotografias dos seus entes queridos. Claro que pra nós, fotógrafos do século XXI, isso parece impossível de acreditar pois com todo nosso conhecimento em fotografia fica bem claro que eram pessoas vestidas em lençóis, exposições longas onde o cara do lençol ficou somente uma parte do tempo na foto depois saiu para causar esse efeito de translucidez.

Nós entendemos, em um nível técnico, mas precisamos nos levar de volta no tempo e nos colocar no lugar de uma pessoa que vive na metade do século XIX para entender que quem, na época, estava olhando para essas fotos, não estava pensando desse jeito.

Agora, no presente, entendemos a tecnologia como algo oposto ao sobrenatural, percebemos essa história toda de espíritos como oposto à essas caixas mágicas produtoras de imagens que carregamos conosco hoje em dia. Porém, para muitas pessoas do século XIX a tecnologia da época parecia sobrenatural em si mesma.

O escritor de ficção científica Arthur C. Clark, escreveu: "Any sufficiently advanced technology is indistinguishable from magic."  (Qualquer tecnologia suficientemente avançada é indistinguível da mágica. Tradução livre, minha) E se a gente pensar nisso, parece verdade: até hoje parece mágica que eu aperto a tela do meu telefone e uma folha começa a sair da impressora! Pelo ar! Parece mágica, não?

Aqui é importante lembrar que a fotografia sempre foi tecnologia de ponta. Desde sua criação até hoje, a fotografia utilizada no presente, independente da época, é tecnologia de ponta, é o melhor que a ciência produz. Então quando pensamos na fotografia do século XIX, também precisamos lembrar que o que se usava na época é o que de melhor existia em termos de tecnologia e ciência. O que hoje em dia se chama de processos arcaicos, é na verdade a mais alta tecnologia da época. High tech, assim como hoje as câmeras digitais de cento e poucos mil reais.

No livro River of Shadows, Rebecca Solnit fala sobre as mudanças da tecnologia na metade do século XIX. "The changes brought about by technology seems supernatural at first, and photography was associated with death in both the many many images of the dead made during the early years of the medium, and in the way that a photograph seems to cheat death, by making at least appearance permanent."  (as mudanças trazidas pela tecnologia pareciam sobrenaturais no princípio, e a fotografia era associada com a morte tanto nas tantas e tantas imagens de falecidos feitas durante os primeiros anos da mídia, e na maneira com que a fotografia parecia trapacear a morte, fazendo pelo menos a aparência permanente. Tradução livre, minha).

Solnit sugere que a ideia da fotografia e a morte estarem associadas é uma parte importante da história da fotografia, e a ideia de que a câmera consegue não só preservar a aparência dos vivos também abriu caminho para a noção de que a fotografia poderia trazer os mortos de volta do além.

Para nós, agora, no nosso tempo, é muito difícil compreender o poder da crença e o poder de sugestão, compreender a ingenuidade, a esperança e a fé que podem transformar uma dupla exposição de um cara num lençol numa miraculosa mensagem da vida depois da morte.

Mas, em contrapartida, a habilidade de conectar inerente à fotografia é fato: todos nós, em algum nível, já recebemos mensagens, através de fotografias, dos que já não estão entre nós: ao vermos uma foto da nossa bisavó com nosso avô ainda garotinho no seu colo, por exemplo, podemos perceber o vínculo, talvez o sentimento entre eles, e de alguma forma nos conectarmos, através desse médium, no caso a mídia fotografia (de media) e recebermos algum tipo de mensagem, ou algo assim.

É possível, e essa capacidade da fotografia de servir como uma ponte para o passado, para o que já não existe mais, ou para quem já não está mais entre nós, é incrível e constante, atual. Quem nunca pegou uma foto de um ente querido e falecido e sentiu algo, alguma conexão, olhando em seus olhos naquela fotografia, recebeu alguma mensagem, em algum nível?

A fotografia possui essa incrível habilidade mística de conexão, de criar uma ponte entre nós e o passado, entre os vivos e os que só estão vivos nos nossos corações e nas nossas fotografias guardadas em quadros e álbuns de família.










mais informações:
http://www.photographymuseum.com

http://www.environmentalgraffiti.com
http://en.wikipedia.org/wiki/Spirit_photography
http://www.prairieghosts.com/ph_history.html