quinta-feira, 17 de novembro de 2011


uma pesquisa sobre a Arte e Fotografia na contemporaneidade artística no Brasil é um tema longo e interessante demais para caber num blog. Talvez em um trabalho de conclusão de curso ou uma tese de mestrado ou doutorado. Imaginar que um tema nessa amplitude seria contemplado com a devida atenção e profundidade num blog seria ou ingenuidade ou presunção, o que não é o caso. Acredito que nessa minha pesquisa haja um caminho a ser explorado e expandido, pois o tema é vasto e recente, duas características que demandam tempo – de fazer a pesquisa e do próprio tema amadurecer para ser melhor analisado. 

Além do mais, a arte contemporânea é por si só complexa o suficiente para que diversos livros tenham sido escritos na busca pela compreensão da época, das obras e dos artistas. Aqui, a tentativa de resumir vai causar a omissão de quase todos os artistas e obras que foram fundamentais na história desse período, que talvez seja o mais imcompreendido, justamente porque ainda estamos vivenciando suas mudanças e transformações. 

E como disse Jorge Coli “A fruição da arte não é imediata, espontânea, um dom, uma graça. Pressupõe um esforço diante da cultura.” (Jorge Coli, "O que é arte"). A arte contemporânea parece ser mais difícil de compreender, já que culturalmente estamos acostumados a associar a idéia de arte com a arte do Renascimento, com os grandes mestres, com as “Belas Artes”. Talvez seja por isso que depende tanto das legendas, fichas, textos, projetos, explicações. E talvez seja nesse ponto que se distancia do público leigo. 

Porém, muito disso foi proposital, a arte conceitual se posicionava justamente contra o sistema, o establishment artístico. A produção artística, nos anos 1960 e 1970 era altamente politizada - principalmente no Brasil, que vivia no período da ditadura militar e da censura – e os artistas queriam desestabilizar esse sistema, questionar seus dogmas e suas leis, e com isso em mente, produziram trabalhos que, por mais contraditório que pareça, estão hoje em dia no acervo dos museus e estudado nos institutos de arte. 

Apesar dessa contradição irônica, talvez se possa dizer que o esforço e as obras que resultaram desse esforço mudaram a maneira com que o sistema artístico funciona e a maneira como a arte é vista, produzida e aceita nos dias atuais, principalmente em relação à fotografia. A contribuição da fotografia para a arte contemporânea foi fundamental para todas as mudanças e transformações que ela sofreu e gerou, inclusive na própria fotografia.  

“O fotoconceitualismo conduziu a uma aceitação total da fotografia como arte (arte autônoma, burguesa e colecionável) em virtude da insistência de que este medium podia gozar do privilégio de ser a própria negação do conceito de arte em todos os níveis. Ao constituir-se esta negação, romperam-se todas as barreiras. A fotografia, inscrita no novo vanguardismo e combinada com elementos de texto, escultura, pintura ou desenho, converteu-se na quintessência do “antiobjeto.” (Anais do Museu Paulista. São Paulo. v.16. n.2 p. 131-173. jul.-dez 2008)


Essa foto fiz no Museu Oscar Niemeyer, em novembro de 2011. A Bienal de Curitiba tinha várias fotografias feitas por fotógrafos e artistas contemporâneos.

terça-feira, 23 de agosto de 2011

história da fotografia

em 1839, dois processos que iriam revolucionar nossa percepção de realidade foram anunciados separadamente em Londres e Paris. Na época que foi anunciada, a sociedade industrial estava pronta para a fotografia. A fotografia foi a resposta final para uma sociedade e uma cultura com apetite para representações da realidade mais perfeitas e reais, uma vontade que começou na Renascença, e que não estava mais sendo satisfatória em imagens feitas à mão. A descrição realista nas artes visuais era estimulada e assistida pelo clima de pesquisa científica que emergiu no século XVI e que foi apoiado pela classe média durante a Renascença e a Revolução Industrial do final do século XVIII. O mundo estava pronto para a fotografia.

 

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

dia mundial da fotografia II


o dia mundial da fotografia passou mas ficam as perguntas: será que as pessoas nos dias de hoje tem noção do que foi a criação da fotografia? Será que algum dia uma invenção terá o impacto que a fotografia teve na cultura e no modo de viver? Sabemos realmente porque fotografamos tanto, sempre? Será que os fotógrafos conhecem a história da fotografia?

Dizem que para entender alguma coisa, precisamos estudá-la, que a compreensão vem do entendimento, e o entendimento do conhecimento, o conhecimento, do estudo. Até onde estudamos fotografia? Até onde as pessoas (os fotógrafos?) admitem que a fotografia não é apenas um fazer, mas um campo de conhecimento que merece estudo e pesquisa?

Eu mesmo passo mais tempo estudando, lendo e pesquisando fotografia do que realmente fazendo fotografia. Se for contar o tempo, desde os meus treze anos, quando comecei a fotografar com uma câmera mecânica e manual com filme preto e branco, em que realmente fotografei, o tempo que estava com a câmera na mão fazendo fotos, quanto tempo deu isso? Levando em consideração que a maioria das fotos são feitas em frações de segundo, quantos segundos passei fotografando? Não deve ter dado mais que um ano... Então, o que faz de mim um fotógrafo?

No dia mundial da fotografia, é de se pensar o que é ser um fotógrafo. Um fotógrafo tem que saber a história da fotografia? Tem que ser um estudioso ou um pesquisador? Tem que conhecer os fotógrafos e as fotos mais importantes da história? Um fotógrafo tem que ter equipamento, ou mesmo sem uma câmera na mão alguém pode se dizer fotógrafo?

Quanto mais eu estudo, mais fico em dúvida, nessa era em que todos são fotógrafos e ninguém pára pra pensar sobre fotografia. Nessa época em que todos tem uma câmera mas a fotografia de filme está acabando, gradual e lentamente. Nesses dias em que os filtros e os presets e os instagrams da vida transformam o profundo conhecimento do laboratorista em um raso apertar de botão.

Walter Benjamin, ensaísta, crítico literário, tradutor, filósofo e sociólogo, associado à Escola de Frankfurt e à Teoria Crítica, autor de "A Obra de Arte na Era da Sua Reprodutibilidade Técnica" (1936), escreveu:

 "Those who do not learn how to decipher photographs will be the illiterate of the future"
(Tradução livre, minha: "Aqueles que não aprenderem a decifrar fotografias serão os iletrados do futuro.")

E ainda, pra pensar como os tempos mudam mas não mudam, uma frase de escritor, poeta, jornalista e crítico literário francês Theophile Gautier, escrita em 1858:

"Our busy age does not always have time to read, but it always have time to look."
(Tradução livre, minha: Nossa era apressada quase não tem tempo pra ler, mas sempre tem tempo pra olhar").

Então, como se diz hoje em dia: #fica a dica: leiam mais, estudem mais, fotografem mais! Sem falar no incrível prazer de olhar as fotos de caras como Weston, Atget, Stieglitz, Strand, Irving Penn, Avedon.... a lista é enorme e sinceramente, prefiro ver as fotos deles do que as minhas rsrsrsrsrsr.....

A foto ali de cima foi meu primeiro auto-retrato publicado. Foi em 2001, no jornal Zero Hora, mas a foto foi feita no século passado, em 1998. Esta câmera é a lendária Nikon F, mãe da FM2 e de toda família F da Nikon. Foi largamente utilizada pela imprensa em todas as partes do mundo, especialmente no Vietna, pela sua resistência e confiabilidade. Lembro que meu pai me disse: "tu tinha que ter deixado tua cara aparecer né!" Mas sempre pensei que a História tem que vir primeiro, depois vem o fotógrafo. A câmera é só a conexão entre um e outro.

Então, mais uma vez, comemoro o Dia Mundial da Fotografia com muita gratidão a todos que contribuíram e com toda modéstia do mundo agradeço aos mestres, aos técnicos e a todos que proporcionaram essa história toda.



e para ler o que escrevi ano passado: dia mundial da fotografia

PS: queria ter escrito esse post no dia certo, mas na sexta saí de casa as 6:15 e voltei as 23:10... passei o dia fotografando, ou melhor, trabalhando com fotografia....