fotografia noturna

chamar de luz natural estaria errado, gosto do termo luz local, aquela que está lá, que não foi o fotógrafo que fez.

A fotografia noturna com a luz dos postes (e todas as outras) normalmente é feita com o princípio de que a câmera vai ficar aberta e a luz vai entrar por tempo suficiente para sensibilizar o filme, ou o sensor.

Nessa hora, a câmera passa a enxergar de um jeito próprio, impossível ao olho humano. Se na maior parte do tempo nosso olho é uma ferramenta muito mais complexa e capaz que uma simples máquina fotográfica, nessa hora, quando o obturador fica aberto e a luz fica entrando e sensibilizando o filme, a fotografia vai além do que o olho pode fazer. O olho, na sua perfeição, dilata a pupila o suficiente para enxergarmos bem, nunca acontece como nas fotos, a luz nunca é demais, é sempre na medida, nunca subexposta ou superexposta.

Pois é a noite que traz essa característica peculiar da fotografia, esse momento onde se comporta diferente do olho humano e permite a criação de imagens que o olho não vê, mas a câmera sim. A clássica foto assim é aquela da cidade vista do alto de um prédio com as luzes dos carros riscando as ruas.

Não vemos assim, mas graças a fotografia, imaginamos, e imaginando sabendo que é possível, fotografamos à noite em busca de imagens que o olho não vê, ou, no mínimo, não vê daquele jeito.

fotografias sem sentido

as fotografias aparentemente sem sentido sempre me fascinaram. Adoro fotos de nada, ao invés de fotos de alguma coisa. Fotografias sem sujeito ou objeto, sem pretensão alguma, tipo aquelas que se faz com um iphone. A curiosidade visual cria todo um banco de imagens de nada, mas com um propósito: saciar a vontade de registrar algo sem sentido, sem necessidade, só pela beleza plástica e visual da cena.