Paris Icons

Perhaps Paris is the most photographed city in history. Some say it's New York, so let's put it this way: Paris is being photographed for way longer. In fact, the first picture ever made of an urban scene was in Paris.

For more than one hundred and fifty years Paris is being photographed in a daily basis. Millions of pictures taken of everything (or it was just me?) but mostly of the Paris icons. How can anyone go to Paris and not photograph at least one of the icons? There is no way. And if you happen to be a photographer, and have all those pictures in your mind, of all those photographers that you love and respect, printed on all those books that you cherish, how do you photograph those icons that you cannot not photograph?

People say things about Paris ever since I was a child. And then you watch all those movies, read those books, and Paris becomes a world wide mind fetish, and we all (well perhaps not all of us, you know) think about Paris, eventually. For those who do not like Paris, maybe it's better if you stop reading right now. Paris is a fetish, and people have pictures in their walls at home, people cannot help themselves - myself included - they have to photograph Paris icons, we venerate the Eiffel Tower, and I do not know why. Should we care? it feels good, right?

I like Paris ever since I read the Three Musketeers, when I was a kid. And all those stories they tell about it in school were illustrated with Eugene Delacroix an Jacques-Luis David's pictures - and ever since I can remember, I do like Paris. Then when I became interested in photography - I was 12 - slowly I've learned the history of photography and fell completely in love with Eugène Atget, and then Brassaï, and Doisneau, and the list goes on, and the years too, and the passion just grew, along the need to go there.

So when finally I was there, all the respect that I already had for all those masters and their masterpieces was definitively established for good: Paris is the easiest and most difficult city to photograph in the world.

That's an opinion, not a fact, based on my belief that even though every picture one's take looks awesome (do they really?), for me there is always the challenge and the thrilling fact that I would like to make something - not different or original - that I felt happy with the approach, the process.

More than take (and own) a picture of some Paris icon, for me the most important thing was the respect for what I was photographing and it's history and meaning, and the feeling of the process, not just the result, but feeling good and nice, with no compromise of doing nothing, achieving anything. The result was that I really liked my pictures and felt real good during and after the photographs.

The result was not the end game, the goal was the way, the process of making the photographs, not the photographs themselves, is what really makes me feel good. That split second. And, of course, all those books that I have.

So if it's difficult, easy, or whatever it is, photograph Paris is a fetish for photographers, or it was for me, at least. Paris Icons is an on going project that I've created, and that will demand a couple of trips more, but it's ok. We will always have Paris.




Leitura de Imagem


Retrato em Dupla-Exposição de Dom Pedro II Conversando Consigo Mesmo. Carneiro e Gaspar,1867


A imagem produzida pelos fotógrafos Carneiro e Gaspar (não foi encontrado registro de qual dos dois foi responsável por qual parte do processo) é uma fotografia realizada em papel albuminado, onde D. Pedro II aparece sentado e também em pé, em uma dupla exposição.

Para entender as imagens mais profundamente, é necessário um prévio conhecimento da fotografia e suas técnicas e história, e também da história geral do Brasil e do mundo. Essa bagagem cultural facilita a compreensão, revelando nuances sobre como a imagem foi produzida, a técnica utilizada, assim como a indumentária do fotografado - já que o cenário não contém muita informação.

Nele aparecem uma pequena mesa de despachos, utilizada para assinatura de documentos, em madeira trabalhada com marchetaria muito provavelmente trazida da europa, da região da toscana ou de Florença. O fundo da fotografia é uma parede bem próxima, ornada com uma coluna dórica. Pela falta de nitidez da fotografia, não tem como ver se é uma coluna de pedra, se é pintada ou se é apenas um cenário. Mesmo sem ter certeza, acredito que seja em algum aposento da residência da família imperial, no Palácio de São Cristóvão, na Quinta da Boa Vista, no Rio de Janeiro, em estilo Neoclássico.

Na fotografia, D. Pedro aparece vestindo roupas burguesas comuns, ao invés de estar vestido como a realeza, em trajes típicos: aparece com um casaco, calça, sapato e camisa comuns à classe mais abastada do país, o que ao mesmo tempo o separa das classes inferiores e da monarquia - é retratado como um homem comum. D. Pedro, ao ser retratado assim, e ainda numa dupla exposição onde parece estar interagindo consigo mesmo, pode suscitar um tom humorístico - mais uma quebra de paradigma para um imperador sendo retratado, quando se afasta das poses formais de um monarca autoritário.

Trata-se de uma experiência fotográfica, utilizando os recursos da fotografia para criar uma imagem com dupla exposição. Levando em consideração a data (1867) pode-se inferir que os fotógrafos usavam material e equipamento de ponta, a melhor tecnologia existente na época, e ainda utilizavam técnicas experimentais (os manuais de fotografia do período eram poucos e principalmente dedicados a produção de daguerreótipos) provavelmente criadas por eles próprios, com base na tentativa e erro, e talvez com referências de experimentos realizados na europa.

A fotografia foi produzida em um papel albuminado, criado em 1850, que basicamente é um papel de algodão imerso em albumina (a proteína da clara do ovo) e sal (cloreto de sódio ou cloreto de amônia), depois de seco, é novamente imerso em uma solução de nitrato de prata e água, o que o torna sensível aos raios UV. Depois de novamente seco, está pronto para ser usado. Este papel então é colocado em contato com o negativo de vidro e exposto à luz solar. Por isso se costuma classificar este tipo de fotografia como fotografia impressa, e não revelada. Por fim, pode ser novamente imerso em um banho de selênio ou outro tipo de tonalizador, o que confere cores distintas entre o preto e branco, o prata, o selênio e o marrom. Com o tempo, o papel albuminado pode sofrer alteração de cor, e se tornar mais marrom e perder detalhes nas baixas luzes.

Este processo permite a criação de duplas exposições fazendo duas fotografias diferentes em dois negativos de vidro (dry plate collodium) distintos, com a câmera em um tripé para manter o mesmo ângulo de captação. Depois expondo à luz metade do papel albuminado, com o fotografado em uma pose, substituindo o negativo de vidro e depois expondo a outra metade do papel, com o fotografado em outra posição. Para tanto, basta que se cubra o papel (que está em contato com o negativo de vidro) na hora da exposição à luz do sol, metade de cada vez, e depois se processe o papel em uma solução de diosulfito de sódio, para prevenir o escurecimento da imagem.

Sir Arthur C. Clarke, no livro Profiles of the Future (1973), na sua conhecida "Terceira Lei", diz que qualquer tecnologia suficientemente nova é indistinguivel da mágica. (Any sufficiently advanced technology is indistinguishable from magic).

O que leva a crer que um dos motivos para a produção dessa série de imagens provavelmente se relacionam com a paixão do Imperador ciência, pelas tecnologia e principalmente pela fotografia. Seu relacionamento com a fotografia começou quando o primeiro daguerreótipo chegou ao brasil, em 1840, ano em que se antecipa a maioridade de Dom Pedro II. O imperador, aos 14 anos, depois de ver o primeiro daguerreótipo ser produzido, encomenda um equipamento completo de daguerreotipia da Europa. Dom Pedro II é tido como o primeiro fotógrafo brasileiro, e o primeiro colecionador de fotografia no Brasil. Sua coleção ainda é a maior do Brasil e uma das mais importantes do mundo.

Nos próximos 20 anos, a fotografia teria um avanço técnico impresionante, e vários processos químicos foram criados e eram utilizados simultaneamente ao daguerreótipo, o qual não foi nem superado tecnicamente nem caído em desuso. As câmeras fotográficas continuavam praticamente as mesmas, o que mudava era a placa colocada atrás da câmera, com o suporte sensível. Com o uso do papel albuminado, algumas opções de técnicas poderiam ter sido usadas para produzir as imagens, porém independente da técnica utilizada, continua sendo um processo experimental, o que necessariamente indica a participação do fotografado no processo. Sendo assim, o imperador foi parte decisiva, pois além de fomentar a fotografia no Brasil e endossar e incentivar financeiramente alguns fotógrafos (o que ficou conhecido como "o bolsinho do imperador"), ainda ele próprio tinha essa curiosidade fotográfica, gostava do que estava sendo feito, e se sujeitou, como modelo posando para a fotografia, a quebrar paradigmas técnicos, estéticos e culturais. Se pode inferir que essa série de fotografias em dupla exposição tenha sido um grande momento na época, quando foi utilizado a tecnologia de ponta para criação de algo novo, o que permite assumir que o motivo para criação de tais imagens tenha sido a vontade de D. Pedro de explorar as possibilidades da fotografia e da tecnologia da época.

Portanto, ao meu ver, a função da imagem era experimentar as novas possibilidades da modernidade, de colocar o imperador como um homem moderno, à frente do seu tempo, conectado com as novas tecnologias, retratado pelas novas tecnologias fotográficas.

Prefiro acreditar que a criação partiu da intimidade entre o fotógrafo e o imperador, independente de quem teve a idéia (o que é quase impossível de saber), foi a curiosidade do imperador e do fotógrafo, e a paixão de ambos pela fotografia e tecnologia, que permitiu a criação da imagem, e da série que veio depois, com outros membros da família imperial.

A fotografia, sendo uma dupla exposição, sugere uma interpretação da cena. Não é apenas uma fotografia comum do imperador em uma pose clássica, um arquétipo ou um palimpsexto advindo da tradição artística de retratos da monarquia, é mais, vai além. As poses do imperador sugerem uma presença dúbia, um confrontamento, uma auto-análise. Em pé, de braços cruzados, olhando "nos olhos" dele mesmo, sentado, parece que espera uma resposta, aguarda uma reação. Na pose sentado, está pensativo, com uma das mãos na mesa e a outra no queixo, não apoiando a cabeça, talvez remetendo ao gesto que fazemos quando pensativos. Sentado está quase subjulgado pela presença dele mesmo em pé à sua frente, como se tivesse que responder algo, que ele mesmo aguarda impaciente em pé, de braços cruzados. Sentado levemente afastado da mesa, levemente em diagonal, pode também sugerir que está prestes a levantar, ou mais inclinado a levantar do que postar-se regularmente sentado com as pernas pra dentro da mesa. As duas posições geram uma tensão que, ampliadas pelo poder da fotografia em congelar um momento no tempo e sugerir o antes e o depois apenas no imaginário do espectador, levam a diversas interpretações. As poses devem ter sido combinadas de antemão, ensaiadas e repetidas. Talvez existissem outras versões feitas no mesmo dia, mas no momento de finalizar a imagem no papel tenham sido escolhidas essas duas. Por falta de documentação sobre o trabalho, resta somente conjecturar sobre as possibilidades. O que podemos sugerir é que houve um planejamento de modo a criar uma imagem que fomentasse essas interpretações, com poses definidas e linguagem corporal, atitude.

Em suma, não apenas criaram uma fotografia tecnologicamente avançada como também uma cena psicologicamente forte e marcante.

Para finalizar esta leitura de imagem fica a sugestão de como a manipulação da fotografia sempre esteve presente e sempre foi inerente ao processo, é parte intrínseca da fotografia. Os modos e técnicas de manipulação da imagem sempre foram utilizados, e a criatividade dos fotógrafos sempre as fizeram necessárias para criar imagens fortes que mexessem com o imaginário do espectador.

Esta é uma imagem forte até hoje, e que na minha opinião define o caráter do imperador mais do que qualquer outra fotografia: um homem à frente do seu tempo, conectado com as novas tecnologias, sempre disposto a se confrontar consigo mesmo em uma provável crise existencial em busca de identidade e afirmação.




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Esta Leitura de Imagem é um trabalho acadêmico que fiz para aula de História da Arte na América Latina, ministrada pela Prof. Paula Ramos, do Instituto de Artes da Ufrgs.

Maison Europenne de la Photographie


Visitar a Maison era um compromisso. Como ir à Paris sem visitar tal lugar? Inconcebível.  Em frente à Maison, passa um homem com uma sacola da Kodak, e uma calça com a mesma textura do muro. A seta do logotipo da Maison e da Kodak apontam para a entrada. Foi depois de fazer essa foto que entrei: inesquecível coincidência. Melhor, só se eu tivesse visto ele passar antes, e tivesse conseguido fazer mais de uma foto. Por outro lado, sendo só uma fotografia, quase sem tempo de pensar antes de fotografar, adquire outro valor. Fiquei pensando onde alguém consegue uma sacola da Kodak, e qual a chance de um fotógrafo estar parado na frente da Maison Europenne de la Photographie, e fazer essa foto? Se tivesse sido em um Tri-x ou um Kodachrome, seria fantástico.
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Lembrei muito das aulas que tive com a Elaine Tedesco, no Intituto de Artes da UFRGS, sobre como apresentar, como expor as fotografias.
Sempre imaginei que na Maison, as fotografias expostas seriam apresentadas de forma convencional, e seriam fotografias sem intervenção artística no sentido de romper os limites tradicionais do meio fotográfico.
Philippe Favier utiliza fotografias como base para criar seu repertório de imagens, mas não são as fotografias o que apresenta, mas uma instalação utilizando imagens, se apropriando de fotografias antigas e transformando em um corpo de trabalho dos mais consistentes e originais da sua geração.