arte contemporânea e fotografia


uma pesquisa sobre a Arte e Fotografia na contemporaneidade artística no Brasil é um tema longo e interessante demais para caber num blog. Talvez em um trabalho de conclusão de curso ou uma tese de mestrado ou doutorado. Imaginar que um tema nessa amplitude seria contemplado com a devida atenção e profundidade num blog seria ou ingenuidade ou presunção, o que não é o caso. Acredito que nessa minha pesquisa haja um caminho a ser explorado e expandido, pois o tema é vasto e recente, duas características que demandam tempo – de fazer a pesquisa e do próprio tema amadurecer para ser melhor analisado. 

Além do mais, a arte contemporânea é por si só complexa o suficiente para que diversos livros tenham sido escritos na busca pela compreensão da época, das obras e dos artistas. Aqui, a tentativa de resumir vai causar a omissão de quase todos os artistas e obras que foram fundamentais na história desse período, que talvez seja o mais imcompreendido, justamente porque ainda estamos vivenciando suas mudanças e transformações. 

E como disse Jorge Coli “A fruição da arte não é imediata, espontânea, um dom, uma graça. Pressupõe um esforço diante da cultura.” (Jorge Coli, "O que é arte"). A arte contemporânea parece ser mais difícil de compreender, já que culturalmente estamos acostumados a associar a idéia de arte com a arte do Renascimento, com os grandes mestres, com as “Belas Artes”. Talvez seja por isso que depende tanto das legendas, fichas, textos, projetos, explicações. E talvez seja nesse ponto que se distancia do público leigo. 

Porém, muito disso foi proposital, a arte conceitual se posicionava justamente contra o sistema, o establishment artístico. A produção artística, nos anos 1960 e 1970 era altamente politizada - principalmente no Brasil, que vivia no período da ditadura militar e da censura – e os artistas queriam desestabilizar esse sistema, questionar seus dogmas e suas leis, e com isso em mente, produziram trabalhos que, por mais contraditório que pareça, estão hoje em dia no acervo dos museus e estudado nos institutos de arte. 

Apesar dessa contradição irônica, talvez se possa dizer que o esforço e as obras que resultaram desse esforço mudaram a maneira com que o sistema artístico funciona e a maneira como a arte é vista, produzida e aceita nos dias atuais, principalmente em relação à fotografia. A contribuição da fotografia para a arte contemporânea foi fundamental para todas as mudanças e transformações que ela sofreu e gerou, inclusive na própria fotografia.  

“O fotoconceitualismo conduziu a uma aceitação total da fotografia como arte (arte autônoma, burguesa e colecionável) em virtude da insistência de que este medium podia gozar do privilégio de ser a própria negação do conceito de arte em todos os níveis. Ao constituir-se esta negação, romperam-se todas as barreiras. A fotografia, inscrita no novo vanguardismo e combinada com elementos de texto, escultura, pintura ou desenho, converteu-se na quintessência do “antiobjeto.” (Anais do Museu Paulista. São Paulo. v.16. n.2 p. 131-173. jul.-dez 2008)


Essa foto fiz no Museu Oscar Niemeyer, em novembro de 2011. A Bienal de Curitiba tinha várias fotografias feitas por fotógrafos e artistas contemporâneos.