everydaylifephotography and Raymond Depardon

I really don't know why Raymond Depardon photographs, but he must have lot's of reasons to. One of them is passion, I would guess, because for an old man to go out on the streets with a heavy 8'x10' in a cold day he must be really passionate about it.

A four year project, a kind of inventory of fixtures of France, the light, the streets, places and territories, french life and lifestyle. Here in this snapshot, photographing Côte d'Azur. The pictures were showed at the National Library, in Paris, in september, and then were to become a book.

Another great work is called "The city as I first saw it...", where "Depardon captures his first impressions of life in 12 of the world's most populous cities. Setting out to lose himself in each place, the resulting photographs show unguarded images of people going about their everyday lives", and was showed in London, in april, 2010.

Everydaylifephotography. The man is old, but the work is new. That, for me, is passion for photography.

I'm writing this post because I got an email from another great photographer, Luiz Eduardo Robinson Achutti, saying only this: "a genious for the old and good documental phtography...", so, what else can I say about it?...



o tempo e a imensa quantidade de fotografias

A fotografia tem um relacionamento intenso com o tempo. O tempo revela os filmes, o tempo determina a luz que entra na câmera, o tempo define a fotografia.
As fotografias, por sua vez, dão indícios do tempo, mas se o tempo é determinante na fotografia, a fotografia não determina o tempo. Nem sempre dá pra dizer quando uma foto foi feita, assim só olhando pra ela.

Fora essa parte técnica, conceitualmente o tempo exerce seu poder com todas as fotografias, mostra quais são as que realmente importam. O tempo revela, eterniza. O tempo é severo, e com o tempo as coisas mudam e o que parecia bem legal se revela ilusão passageira. Só o tempo revela, mostra, retrata, afirma, dá a certeza do que realmente valeu e o que, no fim das contas, foi perda de tempo.

Dizem que se durante um ano o fotógrafo conseguiu produzir cinco fotografias que resistam ao teste do tempo, aquele foi um ótimo ano para o fotógrafo. Vou além e digo que se durante a vida toda o fotógrafo conseguiu uma fotografia que resista ao teste do tempo, valeu todo esforço.

Assim como uma fotografia nunca poderá ser refeita porque o tempo passou, nada pode ser refeito e só o tempo vai mostrar se foi uma obra com significado e importância ou só mais uma fotografia, mais uma nessa imensa quantidade de fotografias que tem por aí.

As câmeras, as máquinas fotográficas, também mudaram com o tempo. Hoje em dia as câmeras são descartáveis, não duram. Hoje o fotógrafo pega uma câmera sabendo que não vai durar, que o tempo vai fazer com que a câmera tenha que ser trocada logo logo. Trocar de câmera é uma questão de tempo, já que as máquinas mudaram tanto com o passar dos anos. Hoje, elas mesmas se fazem tão descartáveis que nos obrigam a trocar. E apesar de serem caras, são descartáveis facilmente, sempre vai ter outra melhor.

O que salva é que os fotógrafos se adaptam ao tempo, que controlando usam à seu favor para produzir fotografias, e modificando seu modo de operar e pensar se adaptam e não param de fazer o que amam, ou pelo menos gostam.

E se as fotografias, com o tempo, se tornam importantes ou esquecidas, depende da fotografia, do fotógrafo, da história e de quem as vê. Se para qualquer um uma fotografia não significa nada, é só mais uma nessa imensa quantidade de fotografias, para mim pode ser a fotografia da minha vida.

Claro que não essa aqui do post, essa é só mais uma nessa imensa quantidade de fotografias.

9 11 e Joel Meyerowitz

Joel Meyerowitz é com certeza um dos caras que já entraram pra história da fotografia. Essa foto infelizmente não é minha, adoraria ter conhecido um dos fotógrafos que mais admiro. O trabalho de Meyerowitz é impressionante, uma vida dedicada à fotografia, um Street Photographer na essência, e um dos mestres da fotografia colorida, marca do seu trabalho.

"Depois dos eventos que aconteceram no 11 de setembro de 2001, o local do World Trade Center foi declarado "off-limits" para fotógrafos pelo gabinete do prefeito de Nova Iorque dois dias depois dos ataques. Joel Meyerowitz sentiu que "sem fotografias" significa "sem história", então apelou para o Museu da Cidade de Nova Iorque e para o gabinete do prefeito para que permitissem que fizesse um exame histórico das consequencias do ataque. Seu objetivo era dar aos nova iorquinos e todos americanos com um arquivo que seria útil para futuras gerações estudarem e entenderem o que aconteceu dentro da "Forbidden City of Ground Zero"."

Tradução livre do site dele, e pra ver todas as fotos que ele fez e todo trabalho fantástico de um dos maiores fotógrafos da história, e também pra ver o que aconteceu depois do dia que mudou o mundo, e ver a beleza em cenas de desolação, não deixe de ver:

www.joelmeyerowitz.com

http://www.joelmeyerowitz.com/photography/after911.html

photoshop = laboratório III

o instinto manipulativo sempre foi um dos impulsos fundamentais do fotógrafo. A começar pelo enquadramento, uma manipulação no sentido de edição, escolha do que que está sendo fotografado, depois, no preto e branco, já havia a manipulação pelo fato de ser preto e branco, uma manipulação da realidade.

Com a invenção da fotografia colorida, outra manipulação porque dependendo do filme, a cor mudava, a cor era manipulada.

Sempre no laboratório, colorido ou preto e branco, a manipulação é intrínseca ao processo, desde a manipulação dos químicos, do papel, do filme. Com a invenção da fotografia digital, principalmente do Photoshop, a manipulação ficou mais evidente.

Popularizado, o fotoxop ficou sendo visto como uma entidade que transforma e faz tudo sozinho, como se no laboratório a figura do laboratorista fosse desnecessária, já que as bandejas e as pinças fazem tudo sozinhas.

Então, hoje em dia, além de perguntar quem é o fotógrafo, já se pergunta quem é seu manipulador, como se o manipulador fosse quase tão importante - ou mais - que o fotógrafo. Na fotografia publicitária, muitas vezes o fotógrafo entra somente com a matéria prima, e a imagem final é feita por outra pessoa ou equipe, que manipula, muda tudo, transforma e depois o crédito é de quem? Quem é o autor? Essa pergunta não existia antes, pois havia um limite para a manipulação fotográfica em laboratório, então o crédito do fotógrafo era indiscutível. Hoje não mais.

Essa foto aqui de cima está longe da original, da captação, da obtenção. Mesmo imitando aquele defeito produzido quando a luz vaza e queima um pouco do filme colorido, dando aquela cor amarelo-avermelhada. Camadas e camadas para ajuste de cor, contraste, níveis, tratamento de pele (porque parece que hoje em dia se esqueceu que anos atrás a pele saía perfeita já na obtenção), mais uns flares porque se não fosse o pára-sol teriam flares na hora, mas depois fica mais fácil de acertar do jeito que estava imaginando. Ou seja, muita, muita manipulação. 

Nesta foto especificamente, eu mesmo fiz toda manipulação, mas sinceramente preferia ter um manipulador que fizesse tudo pra mim. Eu gosto mesmo de laboratório químico, não sou muito fã do fotoxop, é uma relação conturbada mas não conseguimos nos separar. 

Enfim, talvez a grande verdade seja que a manipulação é parte fundamental do processo fotográfico, independente de quais ferramentas forem usadas, fotografia é manipulação, e fotoxop é igual o laboratório.