O que é mais importante, a qualidade do pincel e da tinta ou a sensibilidade e a sensação causada por uma pintura? Claro que se estivéssemos falando de fotografia comercial, entram em questão o tamanho e qualidade em função das utilizações e impressões, porém não estamos, falo de fotografia autoral. Na fotografia autoral, quem escolhe e decide é o autor, e talvez não haja nada que possa ser dito pra afirmar que o autor está equivocado, afinal de contas, está fazendo pra ele mesmo.
Outra coisa que realmente não entendo é a crença de que pra fazer uma boa foto tem que ter uma boa câmera, e que, na fotografia digital, se a câmera - leia-se resolução - não for boa não da pra usar. Mas quem foi que disse que o negativo 35mm era a melhor escolha em matéria de resolução e qualidade da imagem? Cartier Bresson e Sebastião Salgado (só pra ficar nos mais famosos porque a lista é grande) usavam 35mm e, se comparado a uma ampliação de Edward Weston, tecnicamente falando, é como se não tivesse resolução. A escolha é do autor, porém talvez não haja ninguém que veja uma fotografia de Bresson e fique sem reação, porque a sensação é mais importante do que a qualidade. Quem se importa se era um negativo 35mm? Bom, eu não. Claro que os dois usavam Leica né.... ajuda muito, mas continua sendo filme 35mm.
O ponto que eu quero chegar é que não importa o tamanho, e sim a intensidade. Huahauahuahau... sim porque fiz essa foto com uma camerazinha dessas de bolso, no modo noite. Foram três tentativas, essa foi a terceira. Não foi por acaso nem acidente, mas, pelo menos pra mim, mostra que a câmera não importa. Claro que muda tudo, eu mesmo tenho uma grande... mas talvez tenha a certeza de que qualquer câmera, qualquer uma mesmo, vale a pena e faz o serviço, sabendo usar direito. Claro que se eu tivesse com a minha câmera grande e com uma resolução que deixaria a primeira câmera digital na pré-história, a foto poderia ter ficado bem melhor, mas isso tecnicamente falando, levando em consideração que também sou fâ de carteirinha do Weston e do Adams. Mas no fim, a melhor câmera é a que se tem na mão, é essa que faz a fotografia, não a que tá no armário no estúdio.
Gosto dessa fotografia porque poderia ter sido feita em quase qualquer lugar. Cuba, Madri, Nova Iorque, Miami, Los Angeles, Paris, Buenos Aires, Montevidéo, você escolhe, eu também não me importo, gosto mesmo é da intensidade da sensação.
sexta-feira, 30 de julho de 2010
segunda-feira, 19 de julho de 2010
noise II
se antes eu não gostava do resultado digital de uma fotografia que utilizasse o "push process" - ou como dizem por aqui, "puxar" o filme (usar um ISO maior na hora da revelação, ou ainda, mudar a velocidade de captação de luz de um filme aumentando o tempo de ação do revelador, ou ainda, um truque pra fotografar com menos luz) porque ao invés do grão do filme ficar mais perceptível um ruído digital estragava a imagem - agora fico cada vez mais feliz que mudei de opinião (ver post "noise").
A luz noturna, além de mudar para nós, acostumados ao dia, é ainda mais diferente para a câmera, que se comporta de outro modo, precisando de mais tempo para registrar as imagens. Portanto de noite é mais "fácil" conseguir uma foto granulada (ou aguentar uma foto granulada, se esse não for o objetivo) e no caso da fotografia digital, um modo de ganhar mais noise. Fotografar à noite e produzir uma foto bem subexposta (com bem menos luz do que o necessário, escura em outras palavras) depois buscar a imagem na revelação aumenta ainda mais o grão, ou o ruído.
Talvez tudo seja uma questão de objetivo, gosto pessoal, enfim, gostar ou não gostar, eis a questão. Não só passei a gostar como estou produzindo fotografias com noise, propositalmente. Quanto mais melhor.
Essa foto do post fiz à noite, e no negativo (raw) não dá pra ver quase nada, tá bem denso, e efeito todo foi produzido pela revelação, essa foto nem entrou no Photoshop. A única coisa que fiz no Lightroom - já que não se usa mais o darkroom - além da revelação, foi deixar nessa cor de fotografia velha, até pra dar um contraste com as novas idéias.
sexta-feira, 9 de julho de 2010
everydaylifephotography
for years I didn't know what I liked the most about photography. So many ways, means, images. Many masters throughout history, so many incredible photographs, of every subject, in every way. Indeed, hard to choose. And in the end, photography is based on a single word: choice.
Choose what, how, when, why, where and keep choosing, photography is about a series of individual choices. Before, during and after the picture is made, one after another, the photographer has to choose, make a choice, decide, take a stand, claim a stake, put it in any way you want, still, making the right choices are the essential quality of a photographer, and and in the end game, a good photograph is the result of all those choices.
Sometimes, depending on what is being photographed, there is time to think, to rethink, to think again, to try and try and try till the best result is achieved. I really like this type of photography, that starts in the mind of the photographer, like the concept of pre-visualization created by Weston.
Other times the choice has to be made in a matter of seconds, and the awareness and readiness of the photographer must be sharp and quick to do without thinking and rationalizing what it takes to capture in a photo what you are seeing in that moment and visualizing in you mind. Seconds. Bresson's definitive moment.
But is the idea of every day life photography that I am really fascinated by. Everyday life, the (not so real) reality, the things that are happening without acknowledging the presence of the photographer.
Lesser choices, less time to choose, to think and rationalize. The photographs that are made for no particular reason, with no intent and nothing else but habit, something that one's do, like a musician that whistles a song while walking down the street or waiting at a bus stop. The photographs that are made just because a photographer likes to take pictures and was caring a camera.
To be honest, I still don't know what I liked the most about photography. This is a choice I don't have to make. My fascination owns no loyalty to no genre, no nothing, and I enjoy the doubt, the search for the answer. In the end, there is no answer, only the the search, the walk, the path, the journey, and the photographs one makes along the way.
The photo above was made in Buenos Aires, last month, while I was walking down the street, and it is a single shot. I didn't quite stop to take the shot, I guess I kindda shy to be a street photographer, I must've slowed down the pace, I don't remember. It was developed last night, and I had to choose to crop or not to crop. Well I did, and to make a perfect square, I had to cut the tip of the shoe and a part of the right side to keep the original height. Like it's been said, photography is all about choices, just like in the everyday life.
Assinar:
Postagens (Atom)


